quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Nelson Mandela: Uma lenda viva digna de ser lida

Lendo o arrepiante discurso do primeiro ministro racista de africa do sul, Pieter Willem Botha, consigo imaginar o Gigante que nelson Mandela teve que enfrentar para erguer a Republica de Africa de Sul. Com exceção de Fidel Castro, Nelson Mandela é provavelmente o último de uma linha de grandes líderes em extinção, já que vivemos numa época apressada em terminar, de uma vez por todas, com os mitos.

“ Não somos obrigados a provar a qualquer um nem mesmo aos pretos que nós somos um povo superior. A República da África do Sul que nós hoje conhecemos não foi criada apenas de sonhos. (…) Nós não fingimos que gostamos de pretos como outros brancos fazem. O fato dos negros parecerem seres humanos e agirem como seres humanos não lhes faz necessariamente seres humanos sensíveis. O porco não é porco-espinho e o lagarto não é crocodilo simplesmente porque são idênticos”.
Até para ler é preciso coragem, e talvez se pergunte porque esolhi citar essas partes horrosas do discurso? Mas é preciso ter ideia de onde viemos, o que enfrentamos, e quem teve coragem de pegar nas garras das ferras, que com pensamentos diabólicos opremia.

Quem poderia, na história da humanidade enfrentar esse regime? O apartheid provocou o surgimento de uma classe de mulheres e homens incomuns, sem medo, que ao preço de sacrifícios incríveis, precipitaram a abolição do regime. Se Mandela tornou-se um nome entre eles foi porque, em cada encruzilhada de sua vida, soube percorrer, mesmo sob a pressão das circunstâncias e frequentemente de maneira voluntária, caminhos inesperados.

“Intelectualmente, nós somos superiores aos pretos; isso foi provado para além de toda a dúvida razoável ao longo dos anos (…) A maior verdade é que nós somos o seu povo e eles são o nosso povo”, esse era o raciocino de uma classe que foi vencido pelo Maior lider do seculo XX. Um homem constantemente em vigília, sentinela na hora do toque de partida e cujos retornos, todos tão inesperados quanto miraculosos, apenas contribuíram para que se transformasse em mito. Mandela assumiu enormes riscos.
Em sua própria vida, que viveu intensamente, como se tudo fosse sempre um recomeço e cada vez fosse a última. Mas também com a vida de muita gente, a começar pela de sua família, que inevitável e consequentemente pagou um preço inestimável às custas de seu engajamento e convicções.

Ela o vinculou a uma dívida insondável que ele nunca sentiu-se capaz de reembolsar, o que apenas agravou seu sentimento a arrepindimento. É preciso ainda dizer algo sobre a África do Sul que está ficando para trás. A passagem de uma sociedade de controle a uma sociedade de consumo representa, sem dúvida, uma das transformações mais decisivas desde sua libertação e o fim do apartheid. Sob o apartheid, o controle consistia em rastrear e restringir a mobilidade dos negros. Passava pela regulação dos espaços nos quais eles eram confinados, o objetivo era extrair deles a maior quantidade de trabalho possível. Foi esta a razão pela qual surgiram micro ambientes que serviam tanto como recintos quanto como reservas Para construir este mundo que nos é comum, será preciso restituir àquelas e àqueles que sofreram um processo de abstração e de coisificação na história, a parte de humanidade que lhes foi roubada. Não haverá consciência de um mundo comum enquanto os que foram imersos em uma situação de extrema pobreza não escaparem das condições que os confinam à noite da infravida. No pensamento de Mandela, reconciliação e reparação estão no coração da própria possibilidade de construção de uma consciência comum do mundo, ou seja, da conquista de uma justiça universal. A partir de sua experiência carcerária, ele conclui que há alguma humanidade intrínseca de que é depositária cada pessoa humana. Esta parte irredutível pertence a cada um de nós.

4 comentários:

  1. Estao convidados a acrescentar o que falta de Mandela

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  2. o artigo ja falou 25% por das verdades desse iiconi da liberdade, e ha muito a ser lembrado, ha muito que deixo, sobre tudo o exemplo de fraternidade

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  3. "No pensamento de Mandela, reconciliação e reparação estão no coração da própria possibilidade de construção de uma consciência comum do mundo, ou seja, da conquista de uma justiça universal. A partir de sua experiência carcerária, ele conclui que há alguma humanidade intrínseca de que é depositária cada pessoa humana".

    Esse pensamento deveria ser universal

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  4. Mas nao parece ser Renaldo, uma cabeca eh um mundo, onde cada um pensado seu geito, cada tem a sua maneira de ver o mundo. e essas diferencas yabem devem ser respeitadas.

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